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arte em tela cheia
A Escolhida — a caminho…
ficção devocional · declarada na porta

A ESCOLHIDA!
— a jornada —

LÊ ISTO ANTES DE DESCER — o selo da verdade:

O que segue é imaginação declarada. A Escritura conta pouco dos trinta anos de Maria com Jesus — e onde ela fala, está citada nesta página em ouro, marcada CÂNON. Tudo o que está em prata, marcado IMAGINAÇÃO, não aconteceu assim que se saiba: é cena inventada, como quem pinta um quadro ou reza um mistério do rosário — piedade imaginativa, do tipo que a tradição sempre permitiu, desde que jure na porta o que é. Aqui está o juramento: nada em prata é história, nem revelação, nem doutrina. É amor tentando ver. Se uma linha em prata contradisser uma linha em ouro, rasga a prata.

A página-irmã desta — A Escolhida, o hino — prova na Escritura tudo o que afirma. Esta aqui faz outra coisa: caminha pelos anos escondidos, os que o Evangelho atravessa em silêncio, com a tese que a Escritura mesma autoriza: onde quer que eles fossem, uma legião estava a postos (Mt 26:53 · Sl 91:11 · Hb 1:14). A música que vai soar é o mesmo hino. Desce devagar.

capítulo I · Nazaré

Tudo começou com um sim
dito no escuro de uma casa pequena.

cânon · Escritura
«Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.»
Lucas 1:38
imaginação · nada disto é Escritura
E imagino a noite depois do anjo: a casa quieta demais, o coração dela batendo como tambor de festa e de guerra ao mesmo tempo. Uma menina de Nazaré com o segredo do universo debaixo do coração — e sem poder contar a ninguém que primeiro não a olhasse como se olha uma louca ou uma pecadora. Imagino que ela orou o salmo que sabia de cor, e que dormiu sem saber que, do lado de fora, a primeira sentinela já tinha tomado posto no telhado.
Maria em uma casa simples de Nazaré diante de uma presença luminosa, com uma pequena lamparina entre ambas
O sim de Nazaré — ARTE NEXUS · estágio 7 · a luz recebida, não possuída
capítulo II · Belém

Na noite do parto, o céu não se conteve —
e isto não é imaginação.

cânon · Escritura
«E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão do exército celestial (πλῆθος στρατιᾶς οὐρανίου), louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra.»
Lucas 2:13-14 — στρατιά: palavra militar; um EXÉRCITO cantando
cânon · Escritura
«Mas Maria guardava todas estas coisas, conferindo-as no seu coração.»
Lucas 2:19
imaginação · nada disto é Escritura
Imagino os pastores chegando afogueados, atropelando as palavras — «o céu ABRIU, moça, o céu estava CHEIO» — e ela, exausta do parto, com o Recém-nascido no colo, apenas sorrindo por dentro: eu sei. Eu já os sinto por perto há nove meses. Imagino que naquela noite a legião cantou baixinho o resto da madrugada, como quem monta guarda cantando — e que o boi e o jumento não estranharam, porque os animais sempre percebem primeiro.
Um pequeno estábulo iluminado sob uma vasta formação celestial no céu de Belém
O céu sobre Belém — ARTE NEXUS · estágio 7 · o infinito diante da pobreza
capítulo III · a estrada do Egito

A primeira guerra do Menino
foi vencida fugindo.

cânon · Escritura
«Eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito... porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito.»
Mateus 2:13-14
cânon · Escritura
«Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos
Salmo 91:11
imaginação · nada disto é Escritura
Imagino a estrada de noite: uma mulher moída de cansaço com um bebê que não escolheu hora para ter fome, um carpinteiro contando as moedas dos magos, o medo atrás de cada pedra — bandidos, soldados, o deserto. E imagino o que os olhos deles não viam: a formação. Anéis e anéis de sentinelas de luz caminhando com eles, abrindo o corredor à frente, fechando a retaguarda; nenhum bandido entendeu por que desistiu de descer àquela hora; nenhuma víbora cruzou a vereda. A luta era real. O cansaço era real. E a escolta também — só que a fé enxerga com atraso, e chama isso de «demos sorte na viagem».
Três pequenas luzes caminhando no deserto, cercadas por quatro anéis de sentinelas de lança em formação de escolta
a formação de escolta — derivação estágio 8 · as três luzes e os anéis que não se veem
capítulo IV · Nazaré, os anos escondidos

Trinta anos que o Evangelho resume
em duas frases — e uma vida inteira coube nelas.

cânon · Escritura
«E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele... E ia com eles para Nazaré, e era-lhes submisso. E sua mãe guardava no coração todas estas coisas.»
Lucas 2:40, 51
imaginação · nada disto é Escritura
Imagino o impensável de cada dia: ela ensinou as orações a Quem as inspirou. Assoprou machucado de joelho de Quem fez os joelhos. Chamou para o jantar, três vezes até, o Verbo por quem os mundos foram feitos — e Ele veio correndo, porque era-lhes submisso. Imagino as mãos dela: pão, água do poço, roupa no tanque, serragem da oficina na bainha da túnica. Nenhum milagre em trinta anos — e todos os dias o milagre de Deus aprendendo ofício com um justo e provérbios com uma mulher. A batalha daqueles anos não teve espada: chamava-se paciência, pobreza, boato de vizinho, imposto de César. E a legião? A postos, entediada jamais — montando guarda ao Rei que serrava madeira.
Maria leva o pão à oficina onde o Menino e José trabalham entre serragem dourada
A oficina de Nazaré — ARTE NEXUS · estágio 7 · o cotidiano que guarda o mistério
capítulo V · Jerusalém, o Menino de doze anos

Três dias. Quem já perdeu um filho
por três minutos sabe o que são três dias.

cânon · Escritura
«Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu, aflitos, andávamos à tua procura. E ele lhes disse: Por que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?»
Lucas 2:48-49
imaginação · nada disto é Escritura
Imagino a cena mais estranha do céu: três dias em que a legião inteira SABIA onde o Menino estava — sentado no Templo, deixando os doutores de queixo caído — e nenhuma sentinela tinha licença para soprar o endereço à mãe. Porque havia uma lição sendo dada que doía mais nela que nos anjos: o Filho era dela, e não era. Imagino a sentinela-chefe vendo Maria passar pela terceira vez na mesma rua, os olhos vermelhos, e apertando a lança sem poder falar. Obediência também é guerra — para anjos e para mães.
Maria procura o Menino entre a multidão de Jerusalém enquanto sentinelas luminosas guardam silêncio acima dos telhados
A aflição dos três dias — ARTE NEXUS · estágio 7 · presença sem resposta antecipada
capítulo VI · os caminhos da Galileia

Depois Ele partiu para a obra —
e ela aprendeu a segui-lo de longe.

cânon · Escritura
«Disse sua mãe aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser.»
João 2:5 — Caná: a última frase registrada dela, e o primeiro milagre dele
imaginação · nada disto é Escritura
Imagino os três anos: as notícias chegando a Nazaré por caravana — multidões, curas, e depois as outras: «dizem que vão prendê-lo», «dizem que blasfema». Imagino-a de pé na porta, o coração dividido entre a festa e a espada de Simeão, que ela nunca esqueceu. De vez em quando ia, ficava na borda da multidão, na ponta dos pés — mãe de Rabi não fura fila. E via a legião ao redor dele, maior a cada dia, e via também — porque mãe vê — que as sentinelas olhavam para Jerusalém com um silêncio que ela conhecia: o silêncio de quem sabe a data.
Maria observa da borda de uma grande multidão enquanto Jesus ensina ao longe sob a luz do entardecer
Na borda da multidão — ARTE NEXUS · estágio 7 · amar também é deixar cumprir
capítulo VII · o Gólgota — e aqui a imaginação se cala quase toda

A legião estava a postos.
E o maior poder da história foi não chamá-la.

cânon · Escritura — lê devagar
«Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como se cumpririam então as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?»
Mateus 26:53-54 — dito no Getsêmani, com a espada de Pedro ainda no ar
cânon · Escritura
«E junto à cruz de Jesus estava sua mãe
João 19:25
imaginação · nada disto é Escritura
Aqui a tua tese encontra o texto, e a imaginação quase não precisa inventar: as doze legiões EXISTIAM. Estavam a postos — setenta e dois mil, se legião for o que Roma chamava de legião. Imagino-as naquela tarde: em formação completa, espadas desembainhadas, aguardando a única palavra que o Rei tinha direito de dizer e não disse. Imagino a sentinela-chefe com os olhos no Filho e depois na mãe — os dois de pé, os dois sem gritar por socorro — e entendendo, num só golpe, que estava assistindo à batalha final: o General vencia deixando-se ferir, como fora prometido no Éden. A legião não desertou naquele dia. Obedeceu a ordem mais difícil já dada a um exército: a de não intervir.
Fileiras incontáveis de sentinelas celestes mantêm as espadas baixadas diante do monte com três cruzes ao longe
As doze legiões contidas — ARTE NEXUS · estágio 7 · poder sob obediência
capítulo VIII · depois — e o selo outra vez

O terceiro dia provou que a ordem
de não intervir era o próprio resgate.

cânon · Escritura
«Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus
Atos 1:14 — a mãe no meio da Igreja que nasce
cânon · Escritura
«E houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão... e o dragão foi vencido.»
Apocalipse 12:7-8 — as legiões de volta ao trabalho, agora com a vitória assinada
O selo, repetido no fim como prometido: tudo o que leste em prata foi inventado por amor — não aconteceu assim que se saiba, e não é doutrina. O que está em ouro basta, e sobra. Se a imaginação te serviu, que tenha servido para uma única coisa: amar mais o que é real — a serva que disse sim, o Filho que venceu não sendo socorrido, e a legião que ainda hoje, segundo a promessa (Sl 91:11 · Hb 1:14), toma posto nos caminhos dos que herdam a salvação. O resto, rasga. Fazei tudo o que Ele vos disser.