A VINDA
— com os seus anjos —
«Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.»
«Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu.»
«Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.»

Esta página é feita de céus: nebulosas em forma de Leão, hostes em forma de luz. É arte — não fotografia do invisível. Mas o que ela anuncia não é arte: é a promessa mais repetida do Novo Testamento. Ele voltou uma vez ao Pai; e volta. E não volta só.
Não será um segredo de canto.
Será um relâmpago de ponta a ponta.
«Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.»

Contra todo «está no deserto» e todo «está no quarto secreto» (Mt 24:26), o próprio Jesus deu o critério: a Sua vinda será tão pública quanto o raio que atravessa o céu inteiro. Ninguém precisará ser avisado. Ninguém conseguirá não ver.
Primeiro, os céus vacilam.
«E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.»
O universo que parecia o cenário fixo de todas as histórias se revela o que sempre foi: criatura. As luzes que mediram todos os calendários humanos se apagam como lâmpadas ao amanhecer — porque a Luz de que elas eram sombra está chegando em pessoa.
E aparecerá no céu
o sinal do Filho do homem.
«Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.»
«Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o Filho do homem... O seu domínio é um domínio eterno, que não passará.»
«Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram.»

Os antigos leram este «sinal» como o próprio troféu da vitória: a cruz — o instrumento da vergonha voltando como estandarte de glória. Na arte, ela nasce dentro de um astrolábio: o céu inteiro vira instrumento de medida, e no horizonte, pequenas luzes: todas as tribos da terra, vendo ao mesmo tempo.
Ele não vem só.
Vem com os anjos do seu poder.
«...quando o Senhor Jesus se manifestar desde o céu, com os anjos do seu poder, em labareda de fogo.»
«Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos.»

Na matriz, a hoste emerge da própria nebulosa em três graus: o formado, os que se consolidam, e presenças distantes que a vista não alcança inteiras. É honestidade visual: a Escritura conta hostes que nenhum censo humano fecha — «milhões de milhões o serviam» (Dn 7:10).
A trombeta soará —
e nenhum escolhido ficará para trás.
«E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.»

«Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.»
«Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta... os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.»
Eis o que acontecerá: os túmulos perdem a guerra. Os quatro ventos devolvem os que o mundo espalhou. Na arte, as quatro correntes de luz convergem de cada confim — cada ponto uma vida reunida, crescendo em brilho conforme se aproxima do centro.
E como são os anjos?
Nenhuma imagem os esgota.
«Serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.»
«...e todo o seu corpo, e as suas costas, e as suas mãos, e as suas asas, e as rodas — estavam cheias de olhos ao redor.»

Por isso esta matriz existe: os seres quase escapam da forma humana — restam olhar, intenção, lâmina e véu. Quando a Escritura mostra anjos de verdade, a primeira palavra deles é «não temas», porque nenhum quadro os prepara. Toda arte de anjo — inclusive esta — é aceno, não retrato. E anjo nenhum se adora: «Vê, não faças tal... Adora a Deus» (Ap 22:9).
Então se assentará —
e as nações serão separadas.
«E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.»

«Vinde, benditos de meu Pai... porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me... Quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.» — Mateus 25:34-40.
O Juiz julga por amor concreto. O σύνδεσμος — o vínculo — era a prova o tempo todo.
E depois: tudo novo.

«Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo... Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.»
«E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas.»
Eis o inventário do que acontecerá com a Sua vinda: os mortos em Cristo de pé; os vivos transformados; as nações diante do trono; o mal julgado por quem tem o direito de julgar; a morte demitida; a lágrima enxugada pela própria mão de Deus; e a criação inteira — a que gemia — refeita nova. Não é o fim do mundo: é o fim do mundo velho.
«Certamente cedo venho.»
«E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.»
«Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor... Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.»
A resposta certa a esta página não é medo, nem cálculo de datas — Ele mesmo disse que o dia e a hora ninguém sabe (Mt 24:36). A resposta certa tem duas palavras, as últimas da Bíblia:
«Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus!»